
A Rural Willys é um utilitário que foi produzido pela Willys Overland nas décadas de 1950, 1960 e 1970 no Brasil. Na década de 1970, passou a ser produzida pela Ford do Brasil, que comprou a fábrica da Willys em 1967, mantendo inalterados o nome Rural e praticamente todas as características do veículo.
Foi lançado nos Estados Unidos em 1946 com o nome de Jeep Station Wagon, tendo sido o primeiro veículo do tipo com a carroceria toda em metal, em contrapartida às carrocerias de madeira, então comuns.
Com pequenas diferenças, foi produzido também em outros países como o Japão, onde foi fabricado pela Mitsubishi, com o nome J37 e a Argentina, onde foi fabricado pela Kaiser e é conhecido como Estanciera.
O modelo brasileiro foi redesenhado em 1960 utilizando como inspiração a arquitetura moderna de Brasília, em construção na época.
Este desenho acompanhou a Rural até o encerramento de sua produção em 1977.
Origem do projeto e produção
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Willys-Overland Company, empresa americana fundada em 1907 (saiba mais), buscava novas aplicações para seu famoso utilitário Jeep.
A idéia era criar uma carroceria mais convencional, a ser montada sobre a mecânica do fora-de-estrada, dando origem ao que os anúncios apresentavam como o Victory Car, o Carro da Vitória.
Os antigos desenhos evidenciam o parentesco entre o Jeep e a Station Wagon americana
Dificuldades diversas, porém -- a maior delas, acredita-se, era a grande demanda que os fabricantes de carrocerias mal podiam atender, levaram o projetista do Carro da Vitória, Brook Stevens, a desistir do projeto e procurar uma alternativa.
Stevens definiu-se por uma inovação: uma perua, com o máximo de componentes comuns ao Jeep e carroceria integralmente fabricada em aço. Isso ainda não existia nos Estados Unidos, onde as peruas eram elaboradas com estruturas de madeira adicionadas a sedãs.
Lançada em 1946, a Jeep Station Wagon era montada sobre um chassi de 104 pol (2,64 metros) de distância entre eixos e baseava-se em linhas retas, para simplificar o estampagem da carroceria. Os pára-lamas retilíneos eram os mesmos do Jeep militar e, para criar a impressão das conhecidas carrocerias de madeira, a única cor disponível era vinho com as laterais em creme e painéis em marrom-claro.
Só impressão: embora a pintura imitasse as tradicionais carrocerias de madeira, a Jeep era a primeira perua dos EUA com toda a parte traseira em aço.
Simplicidade, robustez e economia eram seus pontos altos. Levava sete passageiros com um comprimento total de 4,78 metros ou, se os bancos traseiros fossem retirados, mais de 2.700 litros de carga.
O porta-malas tinha piso plano e a porta de acesso dividida na horizontal, uma parte se abrindo para cima e outra para baixo. A ausência de madeira facilitava a conservação da carroceria e a suspensão dianteira, idealizada pelo chefe de engenharia Barney Ross, empregava um sistema de sete lâminas transversais, lembrando um projeto seu para a Studebaker na década de 30.
O motor era o mesmo do sedã Americar de antes da guerra, de quatro cilindros, 2,2 litros e cabeçote em "F" (válvulas de admissão no cabeçote e de escapamento no bloco), claramente subdimensionado.
Apenas 63 cv e 14,5 m.kgf, ambos valores brutos, lidavam com um peso 300 kg maior na perua, levando-a com esforço a 105 km/h de velocidade máxima. O câmbio de três marchas logo recebia um overdrive, mas a tração permanecia apenas traseira -- só em 1949 seria oferecida a perua 4x4, com feixes de molas semi-elíticas convencionais na suspensão dianteira.
O Sedan Delivery era na verdade um furgão derivado da perua, sem vidros laterais e com assento apenas para o motorista.
Em 1947 aparecia o Sedan Delivery, uma versão furgão da perua, sem as janelas laterais posteriores, com duas portas traseiras que se abriam para os lados e banco apenas para o motorista.
No ano seguinte chegavam uma versão de luxo, a Station Sedan, e novas cores. Boas novidades eram os bancos mais confortáveis e a opção do motor Lightning (relâmpago) de seis cilindros em linha e 2,4 litros, com potência bruta de 72 cv, que melhorava bastante o desempenho.
Uma nova grade frontal era adotada em 1950. A proposta da perua, porém, permanecia a de um espartano utilitário e não mudaria com a absorção da Willys pela Kaiser-Frazer Corporation, em 1953. Apenas detalhes de acabamento e pintura em dois tons ("saia-e-blusa") seriam introduzidos de início.
O modelo 1958, um dos primeiros montados no Brasil, ainda usava componentes importados. O motor era de 2,6 litros e modestos 90 cv brutos.
A nova fase trouxe algumas evoluções, como o motor Hurricane (furacão) de seis cilindros e 115 cv brutos, em 1954, que equipava há sete anos os automóveis da Kaiser.
Versões para fins específicos passaram a ser oferecidas, como uma de seis portas, entreeixos longo e três fileiras de bancos, para serviços de hotéis e aeroportos. Em 1960 o pára-brisa vinha em uma única peça e, dois anos após, tanto a Station Wagon quanto o furgão Sedan Delivery eram descontinuados.
Rural Willys no Brasil
No Brasil a Rural Willys foi produzida nas versões com tração 4X4 e 4X2, com motores a gasolina de seis cilindros em linha e cilindrada de 2.6 ou 3.0 litros (opcional).
O motor de 2.6 litros, ou 161 polegadas cúbicas, foi o primeiro motor a gasolina fabricado no Brasil e também equipava outros veículos da fábrica Willys, como o Jeep e o Aero.
O motor 3.0, utilizando o mesmo bloco, equipava o Itamaraty. A partir do segundo semestre de 1975, até o final da produção, em 1977, a Rural foi fabricada com motor Ford, denominado OHC, de quatro cilindros e 2.3 litros de cilindrada. Em todas as versões, tinha potência aproximada de 90 hp (cavalos-vapor), adequada à época e características do veículo.
A Rural Willys pode ser considerada "avó" dos atuais utilitários esportivos existentes, pois era um veículo com espaço para a família, mas robusto e com vocações off-road, ou seja, capaz de enfrentar ruas e estradas de terra, lama ou mal conservadas.
Em 1961 entrou em linha a versão picape da Rural Willys, chamada de Pick-Up Willys ou Pick up Jeep e, posteriormente, F-75.
A versão Rural Willys militar, amplamente utilizada pelas Forças Armadas do Brasil, denominava-se F-85.
Na Argentina, este modelo foi conhecido como Baqueano. A F-75 manteve-se em produção pela Ford do Brasil até 1981.
| Visão Geral | |
| Nomes alternativos | Ford Caminhão Ford Rural Willys Jeep Station Wagon Rural Willys |
| Produção | 1946 - 1967 (Estados Unidos/ Japão) 1958 - 1977 (Brasil) |
| Fabricante | Ford, Willys |
| Modelo | |
| Classe | Utilitário esportivo |
| Carroceria | Station wagon |
A versatilidade e a robustez da Jeep Station Wagon chamavam a atenção da Willys-Overland do Brasil S.A., fundada em São Bernardo do Campo, SP em 26 de abril de 1952.
A empresa montava desde 1954 o Jeep Universal (já com capô alto, devido ao motor com cabeçote em "F") e oferecer uma perua dele derivada, mantendo suas qualidades de resistência, seria ideal para um país com vias de tráfego tão precárias quanto o nosso.
O Pickup Jeep
Tinha a mesma frente da Rural, reunia tração 4x4, reduzida e roda-livre.
E foi por muito tempo uma opção isolada em preço nesse mercado
Cachorro Louco
Tradicional na produção de caminhões leves, a Willys lançava nos EUA já em 1946 uma versão com caçamba do Jeep, o Pickup Willys. Da aparência frontal à distância entre eixos, passando pela mecânica, era muito similar à Station Wagon, podendo transportar 500 kg de carga. No ano seguinte aparecia uma versão de entreeixos longo, apta a uma tonelada.
No Brasil, onde se chamava Pickup Jeep, foi lançado em 1961 com tração 4x2 e um ano depois com 4x4, já com a frente mais agressiva (foto) adotada na Rural brasileira. Desta utilizava também a mecânica, embora alguns picapes tenham utilizado motor diesel, ainda nos anos 60. Versatilidade não faltava com as versões ambulância, bombeiro e carro-forte, todas originais de fábrica.
A versão militar F-85 (ao lado), criada em 1962, substituiu picapes Dodge da Segunda Guerra Mundial e foi muito utilizada pelo Exército, Marinha e Fuzileiros Navais, além de exportada para Portugal.
Recebia pára-choques reforçados, grades protetoras nos faróis, guincho mecânico, gancho para reboque na traseira e pára-brisa rebatível.
Uma capota de lona eliminava o teto e não havia portas. Para transporte de pessoal podia chegar a 10 lugares.
Alguns foram equipados com metralhadoras, outros com canhões. E ganharam um curioso apelido: "Cachorro Louco".













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